A festa da Páscoa/hebraico “Pêssarr”,
significa passar por
cima ou passar por alto. Na Bíblia Sagrada tal festa veio como determinação à lembrança da passagem de Deus no
Egito para libertar Israel da escravidão. O povo deveria comer a carne do cordeiro
do sacrifício com pães ázimos (sem fermento) matzo (em ídiche), matzá (em
hebraico), e preparados para partir em viagem,
com os lombos cingidos (vestidos) com os pés calçados, com o cajado na mão e
apressados para saírem (Êxodo, 12; Dt 16.1-4). Já havia a uma
festa tradicional quando começava a primavera, no primeiro mês da colheita da
cevada e houve uma adaptação para a celebração da Páscoa.
Da época de Moisés, aproximadamente 1.200 anos se
passaram e... O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre os que
habitavam na terra da sombra da morte resplandeceu a luz (Isaías 9.2, Mateus
4.16). O que era, ou quem era aquela luz? Tem certas perguntas que é
preciso fazer a leitura dos textos sagrados para, então, obter-se uma direção. Assim,
lendo o que escreveu Lucas 12 séculos depois, encontramos os pastores em Belém
cuidando dos seus rebanhos naquela noite abençoada. Dá até para ouvir o crepitar
da fogueira onde alguns homens aquentavam-se à volta, e o balido das ovelhas,
na noite clara dos campos belemitas. E eis que o anjo do Senhor
veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou
de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais,
porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois,
na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor (Lucas 2.
9-11).
Mais tarde vê-se o Apóstolo Pedro confirmando a símbologia das
trevas, com o pecado e este com a desobediência ao sagrado. E afirmou ainda que,
todos os que se aproximam de Deus, saem das trevas e permitem que luz brilhe em
seus corações; estes passam a fazer parte de uma nação santificada por Cristo. Vós sois
geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de
Deus, cujo propósito é proclamar as grandezas daquele que vos convocou das
trevas para sua maravilhosa luz (I Pedro 2.9).
Jesus advertiu seus discípulos a que tivessem
cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus (dois partidos religiosos). Num
primeiro momento os discípulos, julgaram que o Mestre estava se referindo ao
pão que eles haviam esquecido de trazer. Mas, Jesus esclareceu que Ele se
referia às doutrinas equivocadas daqueles dois grupos, elas aumentavam como a
massa quando está fermentando, mas que, por outro lado, não tem consistência (Mateus
16,5-12). E nós, podemos entender que o fermento das “pseudodoutrinas”
podem até mostrarem-se atraentes, contudo, estão inchadas de interesses
escusos, de projeção pessoal vaidosa em detrimento dos outros, de avareza,
mesquinhez, da desconsideração às virtudes, elevação do mundanismo,
desagregação da comunidade cristã, aniquilamento dos bens morais tão defendidos
por Cristo e por seus mais influentes seguidores. O pão ázimo “matzo” (em ídiche) “matzá” (em hebraico) nos fala da simplicidade, da facilidade com que é ajustado.
Mas, fala também da pureza, da santidade/separação, da firmeza espiritual. O
pão ázimo era partido e repartido entre os irmãos, o que nos dá a ideia de
comunhão, de congraçamento que é o mesmo que conciliar-se, reconciliar-se; fala
de amizade, união, reunião, fala de igreja, fala de amor!
A doutrina cristã está alicerçada nos ensinamentos
de Jesus Cristo: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se
alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne,
que eu darei pela vida do mundo” (João 6.51). É maravilhoso perceber as correlações nas Suas
frases. Muitas das afirmativas do Mestre dos mestres são possíveis entendermos
de pronto, entretanto outras passagens só com o passar do tempo, quando
permitimos que a luz adentre em nossas vidas, é que podemos distinguir os elos
de ligação entre uma palavra textual e outra.
João Batista no rio Jordão, ao ver Jesus se aproximando disse:
Eis o Cordeiro de Deus, que
tira o pecado do mundo (João 1.29).
Jesus sabia, de antemão, qual seria o transcurso
da sua vida, reiteradas vezes Ele confirmou isto! Ele não foi pego de surpresa!
E para resgatar-nos de nossa vã maneira de viver Ele foi até o fim. Jesus lavou
os pés dos seus discípulos! Ensinou-nos a perdoar! “Quantas vezes Senhor, sete
vezes?” “Setenta vezes sete!”. “Se alguém te obrigar a caminhar uma milha, vai
com ele duas”. O Mestre nos deu muitas lições de vida para esta vida, e insistiu
para alcançarmos não a morte eterna, mas, a vida para a outra vida, que é a eterna!
(Marcos 10.29,30; Lucas 28,29,30; João 3.16; João 6.27; I João 2.25; Judas 1.21).
Jesus disse:
Porque o Filho do homem
também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate
de muitos (Marcos 10.45); Ninguém tem maior amor do que este, de
dar alguém a sua vida pelos seus amigos (João 15.13).
Paulo, o apóstolo dos gentios, nos deixou muitos legados, mas
dentre eles existem três pelos quais o ser humano pode avançar de fé em fé, ou
seja, de uma experiência de vida à outra, sejam elas materiais, físicas ou
espirituais, as três juntas ou separadamente:
1- Porque
primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos
pecados, segundo as Escrituras (I
Coríntios 15.3);
2- Também por nós, a quem
será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a
Jesus nosso Senhor; o qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para
nossa justificação (Romanos 4.24,15);
3- Limpai-vos,
pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem
fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós (I Cor 5.7).
Feliz “Pêssarr” Feliz Passagem para
esta vida mesmo (mudança de vida)! Ou para a outra vida (a eterna)!
Feliz Páscoa!
Abril
de 2017 - Pastor Renato Moura