sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A SERPENTE E O VAGALUME - Alguns teólogos acreditam que a inveja é um demônio. Bem, o que eu digo é que se não for propriamente um demônio, ela é uma ferramenta muito bem afiada por ele.

Um dia desses recebi um texto muito interessante.
Trata-se de uma fábula cujo autor da idéia não foi citado, por ser desconhecido. Porém, me parece que é um dos escritos do fabulista francês "La Fontaine" (1621 /1695).

A história fala da perseguição que uma serpente faz a um inofensivo vagalume.
Cansado de fugir dos ataques do réptil, o inseto luminoso pergunta se pode fazer-lhe 3 perguntas. A serpente responde positivamente e acrescenta que, depois das perguntas, o devoraria de qualquer jeito.  

Então, o vagalume queixa-se:
– Fiz algum mal a você?
– Sssss "não".
– Faço parte do seu cardápio de alimentação diária?
– Sssss "não".
Diante disso, reclamou o vagalume:
– Quero fazer-lhe só mais uma pergunta: por que você deseja acabar comigo?
Esclarecendo o verdadeiro motivo da caçada, a cobra lhe responde:
– É que eu não suporto ver você brilhar!

Moral da história: ''A inveja é a causadora de muitos males.''

O TEXTO NO CONTEXTO
A inveja é tão vil e vergonhosa que ninguém se atreve a confessá-la. Ramón Cajal

Após ler o texto fiquei pensando...
É verdade, muitas pessoas sentem inveja pelo simples motivo de perceber que uma pequena luz começou a brilhar na vida de outra pessoa.

Talvez esse sentimento viciado seja despertado, mesmo que inconscientemente, pela comprovação de que a pessoa “vagalume” possui uma ou mais capacitações que a da própria serpente. E com essa luz, venha a deixar claro que esse invejoso jamais alcançará tal qualificação. E de certa maneira ele sente que a sua posição já está sendo ameaçada.
O dicionário Aurélio qualifica a palavra citada da seguinte maneira: Inveja, s. f.; Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio. Outro dicionário consultado exprime a mesma idéia: sentimento de cobiça à vista da felicidade, da superioridade de outrem.
Por isso, entendo que o desejar humildemente e lealmente uma qualidade, um patamar, ou mesmo um bem "semelhante" (não o mesmo) que outra pessoa tenha, não é condenável. O problema reside no fato de que esse desejo se torne tão intenso, ao ponto de serem usados subterfúgios escusos para conseguir e até arrebatar do outro o que se quer ter. Isso sim é inveja pura! O problema é que existe uma linha muito tênue entre uma coisa e a outra. E ao passar essa linha acabará nutrindo dentro de si esse anseio abominável, peçonhento e vil; sentimento próprio de pessoas despreparadas, desqualificadas e sem pudor.

VIGILANTES DO INFERNO
Postam-se os invejosos, como vigilantes do inferno procurando obter algo para levarem ao “chefe”, com o único objetivo de promover o desligamento das baterias do vagalume. Assim, esses indivíduos não têm escrúpulos: delatam colegas de serviço por terem supostamente cometido qualquer engano. E se, o “chefe” for um fraco, muito ocupado para não perceber que aquela “luzinha” poderia ajudar o bem comum da instituição, será levado como foram levadas as construções de Fukushima pelo Tsunami. E sabemos que a radiação provocada pela infiltração do invejoso será extremamente e muito mais prejudicial.
Quantos vagalumes, na história, tiveram suas asas quebradas e seus projetos banidos, destroçados pela atitude nefasta dos invejosos?

ONDE ATUAM OS INVEJOSOS
Sabe-se que os indivíduos que estão contaminados com essa disfunção de caráter, estão imiscuídos nos estabelecimentos comerciais; nas indústrias; nas instituições de ensino; nos clubes, nas autarquias e repartições públicas, governamentais e privadas; nas polícias: civil e militar; corporações e quartéis militares; nos bombeiros; nas famílias e na sociedade em geral abrangendo todo e qualquer aglomerado de indivíduos.
E não pense que esqueci: nas igrejas também!
Se deixei por ultimo a inserção nessa confluência social, foi para dar a ela maior ênfase. Porque nos outros grupos até que é compreensível verificar que em seus meandros atuem elementos nocivos como os invejosos. Porém, na igreja de Cristo essa ocorrência perniciosa é inconcebível, incoerente com os princípios outorgados por Nosso Senhor e Salvador Jesus.

AS SEMENTES PLANTADAS EM BOA TERRA, NÃO TÊM INVEJA
No evangelho segundo escreveu Mateus, no capitulo 4 vemos o próprio Mestre ensinando a parábola do “Semeador”.
Disse o Senhor que um homem saiu a semear. Uma parte das sementes caiu junto ao caminho; vieram as aves e as comeram. Outra parte caiu entre os pedregais, mas ao nascer, como não tinha raiz profunda, vindo o sol a queimou. Outra parte das sementes caiu entre os espinhos, mas estes crescendo as sufocou e não deu fruto. Porém uma parte caiu em boa terra. Essas sementes nasceram e frutificaram a 30, 60 e 100 por um. Em seguida Jesus esclarece dizendo que as sementes do caminho, são os que recebem a “Palavra de Deus”, mas logo se manifesta o inimigo e tira-lhes o que foi semeado em seus corações.
As sementes que caíram nos pedregais são os que recebem o Evangelho, mas vindo as tribulações da vida e as perseguições, como não têm raiz deixam esvair a fé que haviam adquirido.
Jesus explica também sobre as sementes que caíram em boa terra, são aqueles que recebem a Sua Palavra e não só a aceitam como também a divulgam e os seus frutos podem ser contados a 30, 60 e 100 por um.
Mas, antes do Mestre falar sobre a boa terra, Ele falou sobre a semente que caiu entre os espinhos. São aqueles que recebem a Sua Palavra, mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera (Mt 4.19).
Entenda que, proveniente desses cuidados do mundo, engano das riquezas, ambições e outras coisas, é que estão todos os malefícios da inveja.
Dessa forma, percebe-se claramente que a inveja é um sentimento contrário à essência do Cristianismo autêntico.  
Desde a época apostólica, na igreja primitiva e agregados aos fiéis, já atuava o sentimento da inveja. Porém, com o passar desses 20 séculos, houve um acréscimo vertiginoso desses contrários à pureza do espírito cristão. Assim, muitos por estarem desconectados ao doador da vida, aquele que mantém viva a semente da salvação, se deixam levar pela falta de freio aos sentimentos, especialmente um dos piores deles: a inveja.
O Apóstolo Paulo expôs que, já na sua época, existiam homens que pregavam a mensagem cristã por inveja... Meu Deus do céu! E não é isso que vemos na atualidade?
Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade (Filipenses 1.15).

A INVEJA É UM DEMÔNIO
Alguns teólogos acreditam que a inveja é um demônio. Bem, o que eu digo é que se não for propriamente um demônio, ela é uma ferramenta muito bem afiada por ele. E o resultado que se vê na sociedade e também na igreja não é nada alentador; muito pelo contrário, é terrível o massacre que a inveja promove .
Por isso, se o prezado leitor ainda não é convertido aos ensinos de Jesus Cristo, e foi picado pela serpente da inveja; aproxime-se do Mestre e receba a Sua libertação. Pois, o sangue de Jesus tem um poder muito maior do que o soro antiofídico, e é capaz de promover a sua cura completa. E você perceberá que a sua vida se tornará incólume à peçonha do mal.
Agora se você sofreu o ataque da serpente da inveja sendo já um(a) servo(a) de Deus; você já sabe o que fazer! Não sabe? Só quero lhe fazer umas perguntas básicas: como estão as suas articulações? Seus joelhos ainda se dobram? E o seu coração, como está?
Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados. E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado. Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb12.12-14).

Que Deus, em sua infinita misericórdia, nos livre do veneno mortífero injetado pela serpente. A “Inveja” ou outras artimanhas do adversário das nossas almas. E que, sejamos mensageiros do supremo amor de Deus. Que amemo-nos uns aos outros e que nos alegremos ao comprovarmos que o nosso irmão está sendo abençoado e crescendo, seja na vida secular ou seja no campo eclesiástico.
OH! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (Sl 133.1-3).

Pastor Renato Moura

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