terça-feira, 17 de agosto de 2010

A LIGA DOS FIÉIS - A esperança retorna - manhã florida, E fica agradável na trama que tece. Por sentir mais que os outros a vida, Quem nela acredita, não envelhece.


A esperança retorna - manhã florida,
E fica agradável na trama que tece.
Por sentir mais que os outros a vida,
Quem nela acredita, não envelhece.

E da sede da alma, subtrai sentimentos,
Dos dias idos e dos que ainda não são.
E deduz mais polidos, ásperos momentos,
Que ao luzir descreve em nítida expressão.

E mostra que são ricos, os que à fé são leais,
Os que juntam os pontos, do camelo, à agulha.
E distribuindo as falas com vestimentas reais,
Recolhem os tesouros dispersos em fagulhas.

E o “Castelo Forte” que muito antes existia,
Em todos os que buscam da graça o brilho,
Dá a prova da “Boa Nova” com veraz garantia.

E as fases percorridas marcam os Seus favores,
Manifestando o amor do Pai, na pessoa do Filho,
Onde Ele mesmo abriga, a liga dos fiéis viajores.


Autor: Pastor Renato Moura - 100817

sábado, 7 de agosto de 2010

HOMENAGEM PÓSTUMA AO MEU PAI. Estamos na iminência de uma separação. Na verdade, o senhor, meu pai, já está caminhando para o outro lado da vida. O senhor não me vê, não me ouve e não me responde mais.


Estamos na iminência de uma separação. Na verdade, o senhor, meu pai, já está caminhando para o outro lado da vida. O senhor não me vê, não me ouve e não me responde mais.
Quando cheguei em sua casa ontem, logo percebi que alguma coisa não estava bem.
Coube a mim, a primeira tentativa de reanimação. Conversei, agitei o senhor, e orei... Orei com insistência, e com toda a minha fraca fé! E Jesus, com a sua bondade e misericórdia me atendeu, pois, por uns momentos eu pude falar com o senhor, meu pai; e obtive as suas respostas.
Quando a nossa comunicação começou a ficar mais difícil, eu ajeitei a sua cabeça no travesseiro e lhe falei: – Pai, pode descansar agora! Descanse com Jesus, pai!
O senhor me comprendeu, pois eu vi um sorriso nos seus lábios... Por alguns instantes eu fiquei ali, ao seu lado, vendo os seus cabelos brancos. Passei minhas mãos no seu rosto; acariciei os seus cabelos; encostei o meu rosto no seu e fiquei ouvindo a sua respiração! Talvez, eu deveria ter procurado rapidamente ajuda médica, mas, não o fiz. Me sentei na cadeira, ao lado da sua cama e permaneci observando o senhor meu pai...

Quantos momentos passamos juntos! Momentos bons e também ruins.  Quantas lutas, dificuldades, trabalhos... O senhor era mascate na feira na Rua dos Patriotas; eu era um menino de 7 ou 8 anos de idade que o acompanhava... E ainda posso ouvir a sua voz: brilhantina e óleo perfumado; dão brilho e encanto ao penteado!

Um dia o senhor comprou uma moto; uma moto grande. Até hoje eu não sei a marca; só sei que era bem grande. O senhor me levou onde tinha os campos de futebol do Floresta e do Flor do Pinhal, e me transportou na garupa. Que alegria! Mas, ficamos pouco tempo com a moto. E depois o senhor comprou uma carroça e um cavalo. Ôh, ôh, Guarany! O cavalo tordilho parava e olhava para trás...

Sabe pai, também passa pela minha cabeça aquele tempo, quando fomos morar na chácara Paraíso, em São Bernardo do Campo. Quando voltávamos para casa, eram duas bicicletas – uma minha e a outra, sua. O senhor na frente, e eu seguindo atrás. Às vezes, uma pequena distância nos separava, então eu pedalava mais forte e logo estávamos bem próximos outra vez. Quando chegávamos em casa, era sempre uma alegria. Depois do lanche ficávamos à volta da mesa, até tarde da noite. E, juntos, com a mamãe e com meus irmãos, nós cantávamos...

E aquela vez que apareceu um tucano, no pé de amora? Aquele bicão... Que pássaro bonito! Parecia manso, talvez tivesse fugido de algum viveiro! Ele vinha todos os dias de manhã, para comer as frutinhas. O senhor ficava embaixo nos orientando; eu e o Rubens, encima da árvore tentando pegá-lo com as mãos. Chegamos várias vezes bem pertinho, mas, quando íamos apanhá-lo, ele levantava aquele vôo desajeitado e fugia.

O senhor nem sabia, mas, quando aprendeu, me ensinou a tirar leite da vaca. Também nos ensinou a remar o barco na represa. E quantas vezes, nadamos todos juntos... E brincamos nas matas... Que legal pai! Muito legal!

Um dia desses escutei o senhor falando ao telefone com minha irmã Roseli em Goiânia. O senhor dizia sobre um sonho, onde o senhor tinha ido ao céu. Que lá, parecia um escritório muito bonito; que o senhor queria ver outros lugares de lá, mas não lhe foi permitido. Aqueles jovens simpáticos, que para o senhor eram anjos, apenas lhe disseram que ainda não era chegada a sua hora... E que o senhor teria que voltar por mais um tempo; mas, que em breve o senhor retornaria para lá, definitivamente.

E assim, eu estava nesse torpor de lembranças, quando chegou o Rubens. Eu contei para ele, que o senhor não estava bem... Ele imediatamente começou a tentar acordá-lo. Chamou, agitou, orou a Deus... Sentou o senhor na cama; suou, pediu, clamou. Mas o senhor não queria acordar. Eu ajudei meu irmão... Oramos juntos... O senhor, pai, nos respondeu apenas poucas coisas. Parece que não queria voltar.
Depois disso, sentamos o senhor na cadeira, e o levamos até o carro. Em seguida, o transportamos para o Hospital Ipiranga.
Horas difíceis, pareciam que não passavam. E se passassem rapidamente, nós já sabíamos, o que provavelmente aconteceria – pai, o senhor não voltaria mais!

Enquanto esperávamos no saguão, relembrei aos meus irmãos Reginaldo e Américo, quando noutro dia, em casa, nós fizemos oração a Deus juntamente com o senhor, pai. Foi muito gratificante aquela oportunidade que Deus nos deu! O senhor estava razoavelmente bem, até orou em voz alta conosco. Nós nos alegramos no Espírito Santo. Era o Consolador agindo em nossas almas!
E assim, ali naquele hospital, conversávamos sobre a sua vida. O que não sabíamos é que no dia seguinte, o senhor, pai, já estaria de partida para o céu.

Os meus irmãos e eu ainda pedimos a Deus o seu restabelecimento – Aquele era o nosso dever! Mas, o senhor já estava indo. Nos disseram que as suas funções vitais estavam se esvaindo. Os seus batimentos cardíacos diminuindo... O senhor estava indo para a casa do Pai celestial!

Agradecemos a Deus, porque nos conformamos sabendo que Ele poupou o senhor, pai, de um sofrimento maior. Era isso que sempre pedíamos a Jesus. Ele nos atendeu!

Acredite pai... eu vou pedalar mais, e tenho certeza que vou lhe alcançar! E um dia, nós estaremos juntos no lar eternal... Vai com Deus, pai!  Nós, os seus filhos, o amamos muito!

Que o Senhor Jesus confirme a Sua promessa e lhe diga: vinde... e possuí por herança, o reino que vos está preparado desde o princípio...    (Mateus 25.34).

O nosso pai, Mário dos Santos Moura, descansou no Senhor, no dia 3 de agosto de 1999.
Essa homenagem reflete a nossa sincera gratidão, por tudo que o nosso pai foi e fez por nós!

Renato Moura e irmãos