quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

CELEBRANDO O NATAL - No Láscio, região central da Itália, os serviçais palacianos, os soldados, os artesãos, comerciantes, agricultores e a população plebéia, falavam o latim vulgar.




No Láscio, região central da Itália, os serviçais palacianos, os soldados, os artesãos, comerciantes, agricultores e a população plebéia, falavam o latim vulgar. Aquele idioma deu origem às chamadas línguas latinas: italiano, francês, espanhol e o nosso português.
Do verbo latino “nãscor” (nãceris, nãsci, natus, nãtalis), vem a palavra “natale” no italiano, noël no francês, “nadal” no catalão, “natal” no castelhano – esse tem aparecido ultimamente como “navidad”, e “natal” em português; sempre significando nascer, nascimento, nascido. E ainda, indicação do lugar onde ocorreu o nascimento.
Já o termo “natalitius” (lat.), em português natalício, faz menção ao dia que um bebê nasce no mundo.

Data do natal de Jesus Cristo
Para a maioria da cristandade, a data em que se comemora o nascimento de Jesus é o dia 25 de dezembro. Porém, o mês judaico “Kislev”, que vai da segunda metade do mês de novembro (no calendário Gregoriano), era muito frio e chuvoso até a primeira metade de dezembro. E o mês seguinte, o “Tevet”, atinge o frio mais intenso do ano, com a ocorrência de neve nos platôs das montanhas. Se contrapondo a essas intempéries, vemos o evangelista Lucas afirmar que a temperatura era agradável nos campos da Palestina quando nasceu Jesus:
Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho (Lc 2.8). Os teólogos entendem, por essa passagem, que o nascimento de Cristo não poderia ter sido em dezembro, porque nesse mês, como visto acima, a temperatura era baixíssima, ainda mais à noite. O fato se deu, muito provavelmente, na primavera ou no verão.

Por que adotaram 25 de dezembro?
Com a “conversão” do imperador romano Constantino em 312 d.C. e a publicação no ano seguinte do Édito de Tolerância ou Édito de Milão, o cristianismo passa a ser reconhecido como uma religião do império. Por isso foi concedida a liberdade religiosa aos cristãos. Mais tarde (392 d.C.), o cristianismo ganhou a posição de religião oficial do império.
O dia 25 foi escolhido para“cristianizar” tradicionais festas pagãs, como as “Saturnálias” do mundo romano, que reverenciavam o deus Saturno e transcorriam de 17 a 22 de dezembro. Sendo o dia da festa de adoração do “Sol da Virtude” da religião persa “Misthraism”, que era rival do cristianismo no império. Também era celebrado o “Natalis Invictus Solis” – “nascimento do deus sol invencível", após o solstício, quando o percurso aparente do astro tem sua posição mais baixa no céu e causa o dia mais curto do ano.
Com o objetivo de abafar o paganismo reinante é que foi inserida essa comemoração do Natal de Cristo. E, de acordo com o almanaque romano, a festa do Natal consta como realizada em Roma no ano 336 d.C. confundindo-se com as demais comemorações.
Em Jerusalém, só no ano 440 d.C. o Natal foi comemorado no dia 25 de dezembro. E só no Séc.V d.C a Igreja Ocidental, ordena a celebração.

Em que ano Jesus nasceu?
Por convenção esta firmado o ano que Maria teve o menino Jesus, como o ano I d.C. (ano 1 depois de Cristo) mais recentemente dizemos: ano I EC, (ano 1 da Era Cristã). Lembrando que não houve um ano zero, porque não existe o zero em algarismo romano. E, quando se faz referência, por ex. a 7 antes de Cristo, aparece: VII a.C. (ano 7 antes de Cristo), ou  VII AEC (ano 7 antes da Era Cristã). É bom que se diga que, os inimigos da verdade se aproveitam dessa nomenclatura (AEC ou EC) para minimizar a importância de Cristo. Eles dizem ano “tal da Era Comum”.

Mateus e Lucas
Na Bíblia lemos as citações de Mateus e Lucas que indicam o tempo e o lugar onde Maria deu a luz ao menino: E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse". Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria (Lucas 2.1,2).
E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes. (Mateus 2.1A).
O I Imperador de Roma - César Augusto esteve à frente do império de 27 AEC a 14 DC. Portanto, abrangendo o ano do nascimento de Jesus, de acordo com a Bíblia e com os fatos históricos.
Porém, quando Herodes é referido em Mateus 2 versos 1,3,7,12,13,15,16 e Lucas 1.15 - o Herodes é “o grande”, que morreu no ano 4 AEC, (pai dos outros: Herodes Arquelau, Herodes Antipas, Herodes Filipe). Entre a doença de Herodes “o grande”, tratamento, etc. pode ter um espaço de 3,5 anos, o que leva os eruditos a crerem que Jesus teria nascido no ano 7 AEC.
As dificuldades na datação do fato, de forma alguma depreciam a veracidade dos evangelistas. Pois, na “História Universal” situações semelhantes “sempre” são encontradas, o que não invalida nenhum acontecimento. O que nos interessa é que Jesus nasceu, e o seu nascimento foi numa ocasião próxima a “mundialmente” aceita.  

Não nos prendamos às datas e celebremos
Celebremos solenemente o verdadeiro “Natal de Cristo”, repartindo a mensagem da grandeza do Seu amor! Entendendo que Ele nasceu em Belém de Judá, com a missão especifica de resgatar toda a raça humana.
Celebremos! amando-nos uns aos outros, conforme Ele nos ensinou.
Celebremos! porque somos parte do Seu rebanho e nos sensibilizamos quando cantamos a vitória que Ele nos deu.
Celebremos o “Natal” –  acreditando que, quanto mais nos distanciamos do tempo do Seu nascimento, mais nos aproximamos da Sua volta.

Artigo publicado no jornal "Divulgador da Verdade" edição dezembro/2009 a janeiro/2010 


Pr. Renato Moura: Conferencista, articulista, cantor, compositor, escritor, teólogo, pedagogo, professor no SETAD - Seminário Teológico Assembléia de Deus no Ipiranga.


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