quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

QUANDO BATE A SAUDADE, EU COMO DOCE - Porque não existem palavras para explicar. Nem razões para calar toda essa ansiedade. E sem uma base calma...

QUANDO BATE A SAUDADE, EU COMO DOCE

Renato Moura


Quando bate a saudade e a solidão, eu como doce.

Porque não existem palavras para explicar,

Nem razões para calar, toda essa ansiedade.

E sem uma base calma, eu confundo a minha alma,

E no canto, desconto a perda de parte da sanidade.

E como doce, como se fosse doce, o amargo fel.

Para desmascarar ou mascarar, mais ainda, não sei,

Aquela figura que amei – a percepção da compleição do mel.

Então, vivendo nessa desilusão, a minha boca não fecha,

E levo dos outros aquela pecha: tem peso em excesso!

Eles não entendem a mágoa que expresso, e que sinto por dentro.

Não nos flancos, mas, bem aqui, no peito – no centro!

E enquanto sinto na ponta da língua o indizível e doce sabor,

Não mingua a umidade da felicidade de um bom-bocado de amor.

Mas, no fim, instigado, o tremor vem por inteiro.

Eu pego mais um brigadeiro, e chego a entender meus dois mundos.

E por uns segundos, tenho a impressão que passou o susto,

E, tento a todo custo, resistir o pudim de leite, mas, uma voz diz:

“Aceite, aceite”! Sem saber de onde vem aquele mando,

Peço para acompanhar, também... Uma tortinha de morango.

E disfarçando a minha tristeza, faço aquele bico da nobreza e digo:

“Une truffe de liqueur” ― O quê, não entendi! Diz o garçon.

E do alto e bom som, da minha adaptável cultura, desço com desenvoltura e esclareço:

― Não se avexe não, amigo! Uma trufa de licor.

Para não envergonhar o serviçal e, ao mesmo tempo, espantar todo mal de vez. Peço-lhe: ― Uma não. Duas, ou melhor, três.

É, só quem passou por isso sabe: como a solidão machuca!

Um desconforto geral, uma tristeza que dói no peito e sobe pela nuca. Porque, o amor perdido faz sofrer e golpeia a sensibilidade das pessoas. Uns se afundam no álcool, outros nas drogas, outros não saem mais na rua.

Eu? Eu como doce! Quando sinto a solidão rondar as minhas noites sem lua;

Para esquecer a falta de companhia; a saudade que me agonia...

Eu vou lá, na padaria. E depois de satisfazer minha ânsia louca;

Se ainda sentir falta daqueles lábios sedosos, dos beijos amorosos que recebi daquela boca...

Se ainda me desesperar porque há tanto tempo não tenho mais aqueles carinhos...

Sem dúvida eu peço: ― Por favor, me embrulha ainda, 1 quilo de beijinhos!

E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia (Lucas 21.34).

© Pr. R. Moura – Publicação livre – se indicado o autor.


2 comentários:

  1. eu fico curiosa para entender o q passava pela cabeça do autor, quando ele produzia este texto. terá sido uma crise existencial?

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  2. E quem sabe? irmã Cleia.
    Ainda bem que ele já leu, e acredita no que está escrito no texto seguinte:

    Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado (1 João 1.7).

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