sábado, 23 de agosto de 2008

O CANGACEIRO QUERIA BRIGA - Eu quero saber se esse paulista sem vergonha, tem coragem de me enfrentar? Venha logo cabra safado, “sejes home”.


O CANÇACEIRO QUERIA BRIGA

–Será que está aqui, o cabra macho, que tocou o meu cavalo para ir embora? Eu quero saber se esse paulista sem vergonha, tem coragem de me enfrentar? Venha logo cabra safado, “sejes home”.
I
Após ter recebido do Senhor Jesus, a experiência do novo nascimento, e, por ser um homem de temperamento forte e explosivo, Vanildo orava persistentemente a Deus, para que o poupasse de uma discussão qualquer. Pedia para não ser molestado por ninguém, pois não sabia qual seria a sua reação.
Nosso irmão deixou sua esposa Maria das Graças, e os seus dois filhos em São Paulo, onde residem, e viajou para o Piauí, sua terra natal. Foi visitar seus pais e irmãos, e também negociar algumas cabeças de gado que ele possuía. A sua chegada à casa dos seus parentes foi muito feliz. Seu pai o abraçou e sua mãe chorou de alegria, ao rever o filho querido. Seus irmãos, ao serem avisados da sua presença ali, vieram também, para dar-lhe as boas vindas. O que o Vanildo não esperava, era que o diabo já estava lhe preparando uma armadilha...
II
Três dias depois da sua chegada, montando seus cavalos, Vanildo e seu pai estavam levando o gado para beber água no açude. Cuidavam dos animais e de um cavalo muito bonito, de um empregado. Só que na volta, aquele animal se desgarrou dos demais e fugiu, galopando para longe. O dono dele... Era um vaqueiro de sangue quente, arrumador de confusão. Incrédulo, era chamado de cangaceiro, pois só andava armado de punhal e revolver. Quando o vaqueiro ficou sabendo que o seu cavalo fugira, dirigiu-se para a sede da propriedade, onde estava Vanildo, seus parentes e vizinhos. Com a arma na cintura, aproximou-se do grupo e disse: –Será que está aqui, o cabra, que tocou o meu cavalo para ir embora? Eu quero saber se esse paulista sem vergonha, tem coragem de me enfrentar? Venha logo, cabra safado, “sejes home”! Vanildo sentiu o sangue correr mais forte em suas veias. A descarga de adrenalina foi instantânea. Deu dois passos à frente, encarou o “cangaceiro” nos olhos... Já estava para responder no mesmo tom, para matar ou para morrer... quando lembrou-se das suas orações. ...Quis ainda queixar-se com Deus. Senhor... Mas eu orei tanto para não me acontecer isto !? E aí? Vai dar uma de valente? Pois eu vou te enfiar uma bala na cabeça, só para ver o que tem dentro dela. Abre a tua boca, que eu te mato agora mesmo! Vanildo tremia só que não era de medo. Era de surpresa. Ele pensava que nunca aconteceria uma coisa dessas com ele. No entanto estava acontecendo. O diabo o desafiava... Numa fração de segundos lembrou-se das palavras de Jesus... E estes sinais seguirão ao que crerem:
Em meu nome expulsarão os demônios, falarão novas línguas... (Mc 16.17).

Nesse momento, o “cangaceiro” sacou o revolver, apontou para a cabeça do Vanildo. Falou mais um "montão", ofendeu, humilhou... O cristão permanecia quieto, pensando, pensando... Mas em dado momento, estendendo o seu braço, falou: Me dá aqui esse revolver! Todos os que estavam à volta ficaram assombrados, não entendiam o que Vanildo estava fazendo. Será que ele queria morrer como um tolo ? Me dá aqui esse revolver, rapaz! E com uma autoridade incrível, exigiu: –Vai logo, me entregue essa arma ! Ninguém entendia nada. Muito menos, quando o “cangaceiro” segurou o revolver pelo cano e o entregou para o Vanildo. E ainda ficou ali parado, com as duas mãos abertas, sem saber o que estava fazendo... Internamente, Vanildo glorificava a Deus, pelo livramento concedido: --Só mesmo tu, Senhor Jesus, é quem pode fazer essas coisas! Eu te agradeço Senhor, meu Rei, meu Salvador! Quando o “cangaceiro”, que parecia estar dormindo em pé, acordou, perguntou: –Como a minha arma foi parar em suas mãos Vanildo ? Que é que aconteceu? –Foi você mesmo que me entregou. Eu pedi, Jesus mandou, e você me entregou. –Ah, já sei, “tu é crente né”. Só podia ser! “Tá bom, tá bom! Mas, faz um favor para mim... Me devolve a arma. Vanildo pensou que talvez fosse perigoso, devolver o revolver para o “Cangaceiro”. Talvez ele pudesse começar tudo de novo... –Devolve a arma Vanildo, devolve...! – Eu vou devolver... Só que sem as balas. ...Está aqui. Toma, mas, tenha cuidado com isso ! –Não se avexe não, Vanildo, eu não vou “brigá” mais não! O “cangaceiro” sorriu quando a arma foi devolvida, um sorrisinho que pareceu meio maroto, meio estranho. Contudo o cristão, naquele momento, não estava “avexado”. Ele estava alegre com Cristo, estava se regozijando com o Senhor! Vanildo passou o resto da noite em paz. Mas, nem por isso, deixou de vigiar. Pois sabia que na manhã seguinte, faria uma caminhada de seis quilômetros pelo meio “dos matos” e podia ser que o “cangaceiro” ainda quisesse aprontar.
III
Amanheceu! Mais um dia bonito! O sol despontou bem cedo, os pássaros já estavam cantando. Aquele vento fresco parecia convidar para um passeio. Mas ele não podia mais passear, pois já estava de volta para São Paulo. Tudo já estava preparado para aquele pequeno trajeto pela estrada; até o lugar onde o Vanildo, deveria apanhar o ônibus. Imagine quem estava lá, para fazer a cavalgada até a pista, junto com ele? ...O “cangaceiro”. ...É ser crente não é fácil não! É oração, encima de oração! É viver de fé em fé! Nosso irmão sabia disso. E, em espírito, orou mais uma vez. Pediu a Deus, que repetisse o livramento, que o protegesse naquela caminhada. Sabem o que aconteceu? O “cangaceiro” só trocou palavras amistosas com Vanildo. Chegou até, a recriminar outras pessoas que faziam “descaso dele”... –Porque não são crentes, como “é tu”!
IV
Após a viagem, já em São Paulo, Vanildo ficou sabendo que o cavalo voltou sozinho para o sítio. Nosso irmão entendeu que o diabo usou o animal para fugir; influenciou o “cangaceiro” para pensar que alguém queria prejudicá-lo, fazendo descaso dele e ainda espantando seu animal. Mas Deus derrotou a intenção do inimigo, e manifestou o seu grande poder, dando aquele livramento.
E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios, falarão novas línguas... (Mc 16.17).
Em suas orações, ele sempre agradece a Deus, por aquele grande sinal, e pede em favor do “cangaceiro” salvação, graça e misericórdia.

Quando escrevi este texto, o irmão Vanildo e sua família, congregavam na Assembléia de Deus do Jardim Botucatu-SP.

© Pr. Renato Moura – Publicação livre – se indicado o autor.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

PLACEBO ESPIRITUAL - a disfunção que ela tem é puramente de ordem psicológica, um especialista pode prescrever pílulas de placebo...


Ao avaliar a sua paciente e concluir que a disfunção que ela tem é puramente de ordem psicológica, um especialista pode prescrever pílulas de placebo. Feito só com farinha ou açúcar, o placebo promove cura entre 25 a 75% dos casos: porque é indicado com promessas de que contém propriedades benéficas.

Infelizmente, na área espiritual religiosa, muitos estão ministrando placebo ao povo. E por incrível que possa parecer, um número considerável recebe melhora, porém, apenas de efeito simbólico. Sendo que, em percentual, perde de longe para a eficácia do placebo medicinal.
Deus, porém, através da eficácia da Sua palavra e por Sua infinita graça, continua nos levando a crer, não em meias-verdades; mas, sim, na “Verdade Essencial”, manifestada na pessoa do Seu Filho JESUS.
Só Ele pode mudar 100% uma vida, curando todo o seu corpo, alma e espírito!

E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê (Mc 9.23).

© Pr. Renato Moura – Publicação livre – se indicado o autor.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O CHORO DAS BALEIAS - Vem do mar esse mal cheiro? Não! não é verdade! É outra, a realidade – não vem da baleia morta. Vem dessa civilização...

Renato Moura

Por que será, que as baleias choram?

Eu não sei... não sei... Talvez, elas sintam que estão em extinção...

E que brevemente só existirão... na mente, da gente...

E no forte impulso – um salto – e jogam espumas para o alto;

Marcam as águas por um instante, mas, no outro, só restam mágoas.

Estigmas da revolta, contestação contra o arpão, que rasga e que corta;

Assassina carnificina, que mesmo sabendo escassa – caça.

E quando não caça, exclui; e se não; voluntariamente, polui...

E se o espelho não traduz o vermelho da morte,

Foi porque o sangue dessa, não jorrou – estancou – por dentro coitada!

Encalhou de madrugada; apareceu na praia do forte... por fora inchada!

Se desgarrou, perdeu o instinto, o rumo, o prumo... A vida.

Que vida? A mesma dos homens que atiram;

Dos homens – que tiram... dos que não vêem, nem viram – o perigo da vida...

E o sol queima a areia branca; e quem não sabia estanca.

Foi como um tapa na cara, que entrando lá dentro, revolta o estômago...

Vem do mar esse mal cheiro?

Não! não é verdade! É outra, a realidade – não vem da baleia morta.

Vem dessa civilização, que mal resolvida, vai levando e nem se importa.

Se forem eleitas as candidatas, se tiram o leite, ou se enlouquecem as vacas,

...ou se derrubam as matas.

Se amanhecem nos bares, se conspiram aos pares, ou se poluem os mares.

Ah - Esquece!

É melhor, sem afronte vislumbrar no horizonte – o mar – o Atlântico-Sul!

É melhor olhar ao longe e ver – o que as águas verdes, ainda têm de azul...

“Uuuuuuuuu” – “Âââh”...Ouviu?

Por que será, que as baleias choram?

Eu não sei... não sei... Talvez, elas sintam que vão se extinguir...

E que brevemente só existirão... na mente, da gente...

Se a gente ainda existir!

E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom (Gn 1.21).

© Pr. R. Moura – Publicação livre – se indicado o autor.