domingo, 6 de julho de 2008

GETSÊMANI - Uns poucos seguidores Ele ainda mantinha; mas, eles estavam tão abatidos... E havia o pressentimento que o tempo já estava cumprido.

Getsêmani
Renato Moura
Num momento Jesus clamou:
― Deus meu! Deus meu...
Ele era tão forte, mais do que a morte.
Ele, no passado, se sentira vigoroso, seguro...
Porém, ali o mundo se tornara tão agressivo, escuro.
Ele estivera tão decidido, inspirado;
mas, naquela hora experimenta a agonia;
e ele estava “tão” cansado!
Se existisse um outro modo, uma outra maneira;
um outro jeito, que a Deus fosse direito...
Então, Ele orou:
― Se for possível, passa de mim este cálice!
― Se for possível, passa de mim este cálice!
As boas-novas Ele pregara...Anunciando com palavras, sinais e maravilhas.Fez andar os coxos, deu vista aos cegos,liberdade aos cativos...Pão para comer e água para beber:aos homens, mulheres, filhos e filhas.Mas, a humanidade é obstinada e presunçosa;recalcitrante, revoltara-se outra vez...E bastava só um instante para retornarem aos descaminhos.E quantas vezes, envolvida por idéias insanas e ocas,abandonavam a fonte das águas cristalinas,e no engano, cavavam para si - cisternas rotas.Os três anos do Seu ministério, de repente,tornaram-se muito mais do que um mistério...
A sua estrutura humana gemeu, chorou e Ele clamou:

― Passa de mim este cálice!

Uns poucos seguidores o Mestre ainda mantinha.
Mas, eles estavam tão abatidos...
E havia um pressentimento que o tempo já estava cumprido.
Por livramento Ele ora... Não somente para aqueles,
mas, também, para os outros que viriam.
Implora para que o Seu amor permanecesse neles,
como Deus sempre quis, e ainda quer que seja.
Que o sacrifício, ao qual Ele se entregava,
confirmasse o vínculo da perfeição da Sua igreja.
Ele pede forças para que eles triunfassem nas provações.
E não caíssem nas tentações, nas armadilhas ou ciladas;
suplica por ajuda, para que no dia-a-dia,
eles superassem as lutas mais pesadas.
Aquele era o momento da aflição...
Ele Insiste, então, por sua própria paciência.
E pede a Deus ajuda, mais força e poder.
Mas, naquele instante percebe que os seus discípulos dormiam.
E que, embora Ele mesmo sentisse tanto frio...
Estava suando... Ele estava suando sangue!!!
Mesmo assim, tenazmente clama com fervor.
Para que o Pai o recebesse, acalentasse e lhe desse
a cobertura do Seu amor.
E que neutralizasse toda aquela dor horrível;
E que a Sua presença lhe fosse mais sensível,
concedendo-lhe um pouco de conforto,
naquelas horas derradeiras, ali mesmo, naquele horto
no Jardim das Oliveiras.
Porque o Seu coração estava angustiado em demasia.
E aquele momento era de solidão, tristeza e agonia.
Mesmo assim, ao Pai quis enaltecer – e obedecer!

E em aflição conclui a sua mais difícil oração:
― Pai...
DEUS meu! Deus meu!
Ele estava tão cansado...
― Se existe um outro modo, uma outra maneira, um outro jeito,
Que a ti pareça justo e direito, para selar a verdade;
Se, possível, passa de mim este cálice!
Contudo, não se faça a minha, mas, sim, a tua vontade!
© Pr. R. Moura – Publicação livre – se indicado o autor.